Institucional

Colorismo: o que é e como aparece no debate antirracista 

Entenda o que significa o termo colorismo e como ele alimenta o preconceito e estimula a discriminação de pessoas negras

Você já ouviu falar em colorismo? Esse é um termo usado quando os diferentes tons de pele negros viram motivo para discriminação.  

Quer entender melhor? Siga neste texto que vamos explicar como isso funciona. Aliás, este é o terceiro texto da série de conteúdos do grupo Falas Antirracistas no mês da consciência negra.  

Na semana passada, nós falamos sobre o conceito de raça. Para ler todos os textos antirracistas do Blog do Agi, é só clicar aqui.   

O que é colorismo? 

Colorismo é um termo que define quando as diferentes tonalidades de pele negras são usadas para criar uma hierarquia. Na prática, é quando negros de pele mais clara são recebem um tratamento melhor do que pessoas negras de pele escura.  

Ou seja, o colorismo muitas vezes é uma ferramenta de discriminação. Isso porque essa diferenciação gera ainda mais preconceito.  

Como o colorismo alimenta o preconceito 

Existem dois principais pontos negativos do colorismo: o mais clássico é quando um negro de pele retinta, mais escura, sofre discriminação por ser “escuro demais”. E isso traz um efeito colateral que também é ruim.  

Isso porque quando um negro de pele clara recebe tratamento melhor por ser “menos negro”, ele tende a negar a sua origem. Ou seja, isso faz com que pessoas negras rejeitem a própria identidade.  

Em ambos os casos, a segregação provocada pelo colorismo causa sofrimento. E o pior: atribui um olhar negativo à negritude. Logo, o colorismo é racista. 

Escala de negritude é traiçoeira 

Um dos principais problemas do colorismo é que ele é traiçoeiro. Em um país como o Brasil, onde o racismo é muito presente, ser negro de pele clara não livra ninguém do preconceito.  

Mas não dá pra negar que a cor da pele interfere nas oportunidades que uma pessoa pode ter, e é por isso que o colorismo deve ser combatido. Não há como ser antirracista classificando as pessoas pelo seu tom de pele.  

Preste atenção às suas atitudes 

Praticar o antirracismo no dia a dia é prestar atenção ao que outros dizem e fazem, mas, principalmente, às próprias falas e atitudes. Lembre-se de que estamos em uma sociedade em que o racismo é estrutural, e isso influencia nosso olhar sobre o outro.  

Até mesmo pessoas negras crescem e formam as suas personalidades dentro do racismo estrutural. Ou seja, o fato de nascer negro não garante por si só uma consciência antirracista.  

A compreensão do racismo surge por meio de muita conversa e estudo. E debater o tema desde a infância, por exemplo, é uma forma de colaborar com o fim do preconceito. 

Termo colorismo surgiu na literatura  

O termo colorismo apareceu pela primeira vez no livro “A Cor Púrpura”. A obra da escritora norte-americana Alice Walker foi publicada originalmente em 1982.  

Onde aprender mais sobre colorismo 

Livro: “O olho mais azul”, de Toni Morrison 

O livro, de 1970, foi escrito por Toni Morrison, que foi a primeira e única escritora negra a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Ele conta a história de uma menina negra retinta que sonha em acordar com os olhos azuis porque acredita que, se isso acontecer, não irá mais sofrer com o preconceito.

Falas Antirracistas no Agi    

O conteúdo que você acabou de ler faz parte da iniciativa Falas Antirracistas, que celebra um ano neste mês de novembro. Esse é um grupo interno formado pelos colaboradores do Agi com o objetivo de provocar reflexão sobre o assunto.    

Agora, o debate vai ser ampliado também para quem acompanha o Blog do Agi. Durante o mês de novembro vamos divulgar um conteúdo por semana.    

Venha com a gente ser um aliado na causa antirracista. 

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